2010/07/14

Óhh faxavor! Dê-me aí dez euros de felicidade e 5 de realização pessoal que a vida está difícil

- Diz? Não te ouço! Berra! Berra com toda a tua força. Berrar faz bem, acalma a mente e cansa o corpo. Fala! Diz o que te apoquenta. Mostra-te! Impõe-te e mostra que não és mais um acomodado.

- Reclamo do que não aceito! Luto por aquilo que acredito! Deixo e largo o que quer fugir! Não espezinho! Não massacro! Não como e não alinho em actos de canibalismo! Não entro em esquemas! Não sigo o carreiro! Há muito larguei as palas que só me deixavam ver para um lado! Estou atento… sempre! Observo! Escuto! Olho! E paro… para quem merece que pare. Caramba… isto está cheio de cegos e de gente que não quer ver…

- Se calhar vêem mais do que tu… vêem só aquilo que lhe permite sobreviver. Vêem apenas o suficiente para não terem que se questionar...

- Se calhar… e por isso sobrevivem enquanto eu me estrafego. Merda para os canibais… comem tudo… comem-se uns aos outros… comem-me a mim.

- Pois é meu caro! É a selecção natural…

- E no final? Serão felizes os que sobrarem? Sentir-se-ão realizados?

- Não sei. Acho que não.... Mas isso hoje em dia vale alguma coisa?

2010/07/12

Uma Porra...

Não sei se resignado, acomodado, cansado, farto ou perdido. Momentos cíclicos, pensamentos redundantes. Impotência misturada com uma enorme vontade de agir. Venha o encosto, o travesseiro e a escrita. Venha a vontade de mudar, a vontade de lutar. Desta vez não vou esperar pelo vento, vou puxar dos remos… venha a força. Venha o fogo. O calor. A neura. Eu vou tentar não me irritar…

Hoje não dá! Estou fraco! Cansado! Desorientado… e pergunto-me, serei assim tão exigente?

2010/06/08

Não o mato, adormeço-o...

Este texto só vem confirmar aquilo que há muito estava anunciado. O fim deste blog. Não é com agrado ou satisfação que o fecho. Fecho-o simplesmente porque tem que ser.

Tudo tem um ciclo e o meu para com este blog está terminado. Só eu sei o quão ele foi importante para mim. Reconstruiu-me e foi muita vez a voz que chegava aos meus amigos. Foi pessoal e bastante introspectivo mas, era assim que tinha que ser.

De momento sinto a mente limpa . O corpo pede-me outras guerras. Preciso de aliviar a força que se começa a avolumar. Preciso opinar! Preciso de outras guerras. De uma outra identidade que não a deste blog.


Assim começava o texto que ditaria o fim deste blog. Mas já não o vou matar. Quero continuar a escrever nele. Não sei com que frequência. Não sei com que vontade. Só sei que será aquele pedaço anónimo de mim que viajará pela Web. Um blog sem filtros ou mascaras.

Todo o ser é louco e talvez a minha loucura seja a de considerar este blog uma companhia. Sei quem o lê(lia) e por isso acaba por ser um canal. Aquele sítio onde posso berrar, ser simpático, sensível(como diria alguém...), bruto ou parvo sem que eu esteja a pensar sobre o que os outros irão pensar.

Vocês, se é que ainda visitam este blog, acabarão por se esquecer dele. Eu próprio me esquecerei dele. Terei para com ele uma relação egoísta. Ele está cá para quando eu precisar. Não é obrigação, nem para mim nem para quem o seguia. Será uma visita esporádica. Uma daquelas lembranças, de quem está a olhar para o Google e se pergunta o que há-de visitar. Será somente isso. Uma lembrança. Um escape de desassossego para quando este me bater à porta. Uma voz do meu ser e do meu sentir. Uma companhia. Uma fuga. Um desabafo.

Quero, no entanto, destacar a existência de outro blog. Um blog que será do conhecimento público e onde “cagarei” (um termo muito bem empregue) postas bem cozidas (temperadas e arranjadas). Um blog com um eu mais polido e trabalhado. Um eu disfarçado, mascarado, filtrado e, no entanto, um eu assumido e assinado. Em suma, um eu mais falso mas com a mesma vontade de reclamar. A ver vamos para onde é que aquilo vai parar! Até eu estou curioso.

Fico desta forma com dois canais. Um para quando me apetecer berrar com o mundo, outro para quando me apetecer ser mais intimista.

2010/03/10

Como diria o Godinho... "Que força é essa?"

Este não é, de certeza, um blog para fracos.

2010/03/08

Mais um ano a marcar a efeméride

O ano passado, por esta data, escrevia um post dedicado às mulheres. Queixava-me que não as compreendia e questionava-me se ainda existiria espaço para o romantismo.

Um ano depois confesso que ainda continuam a ser um mistério, mas hoje sinto que o romantismo ainda tem os seus dias de vida.

Como diria Oscar Wilde – "As mulheres foram feitas para serem amadas e não para serem compreendidas".É certo que são palavras de um gajo um tanto ou quanto “abichanado”(segundo consta) mas, como isto é um blog liberal, todas as opiniões são tidas em conta. Aliás, se calhar até foi esse seu lado mais feminino que o fez tirar esta conclusão.

Não quis deixar a data em branco mas desta vez, a minha visão em relação à mulher salta do “I Started a joke” de Faith no More para “Primeiro gomo da tangerina” do nosso Sérgio Godinho.

Um feliz ano para todas as leitoras do blog :)

2010/03/04

A salvação da alma vem acompanhada de um pires de tremoços...

Hoje estou no modo correcto para este blog, isto é, com aquela apetência natural para reclamar. Aliás, acaba por nem ser reclamar, divagar talvez seja o termo correcto.

Apetece-me divagar pelo meu ser actual e pelas minhas convicções. Dando, como sempre, as habituais abertas para que cada um se possa identificar. Um exercício de interiorização perante um estimulo externo.
Não sei para onde possa levar este texto. Não sei mesmo. Vou deixá-lo fluir. Nem tudo está perdido. Relaxem. Sei por onde começar.
Começo pela fase que tenho atravessado, uma fase calma em que tenho feito os possíveis para me manter na clandestinidade do meu ser, isto é, tenho andado por aqueles recantos obscuros de mim mesmo que queria conhecer e dominar. Tenho experimentado a tolerância e a calma de deixar que alguém assuma e decida por mim.

Tenho feito os possíveis por estar no meu canto e tentar passar despercebido. Tenho sido um tolo atento. Um tanto ou quanto despersonalizado (nunca em demasia porque nunca fui tão bom actor). Nunca para aqueles que gosto pois com esses não consigo usar capas. Tenho experimentado colocar-me noutras vidas, imaginar como os outros pensam e sentem. Perceber se certas convicções e valores que possuo são bem fundados ou se, por outro lado, são simples devaneios de um engenheiro que quer ver mais do que matemática e números. Tenho pensado sobre o que sou e quero ser.
Há 5 meses achava que queria ir para África, Ásia ou América do Sul(tinha que ser uma cultura de tal forma diferente que me provocasse um choque). Queria dar o corpo pelo trabalho, alimentar-me deste para não ver mais nada. Ganhar dinheiro e, quem sabe, não me tornar um ser execrável com muito dinheiro, solitário, frustrado e indiferente face a tudo o que me rodeasse. Há quem diga que o dinheiro não compra tudo.Será? O dinheiro até "amigos" compra (atente-se nas aspas).

Estou curioso... seria(será?) possível que eu algum dia me tornasse nesta pessoa? Se todos partimos mais ou menos do mesmo ponto. Se o meio é, em grande parte, responsável pela formação do nosso ser. Se estamos sempre em constante evolução (mal das "crianças" que estagnam) poderia eu, experimentando outros estímulos, repensar e mudar os meus "valores"? Bem... nunca digas nunca... mas espero bem que não. Senão porque razão estaria eu a pensar hoje sobre isto?

Mas andei lá perto. Andei baralhado. Estava um gajo sem alma... em que, a pouca que eu tentava prender, me era roubada pelo trabalho da altura. Questionei as minhas prioridades e os valores que defendia. Perguntei-me se termos como honra, honestidade, sinceridade ou consciência(entre outros) não seriam invenções de um gajo qualquer que, pregando-os, aproveitava para enganar, comer e roubar aqueles que o ouviam. Eu já não digo nada... é que, efectivamente, hoje em dia existe gente a fazê-lo...

Agora lanço, provavelmente, a frase da polémica. A minha alma foi salva pela cerveja. Desde já aproveito para dizer que a Super Bock é a verdadeira. O resto são genéricos feitos por laboratórios duvidosos.

É verdade meu povo(é sempre bom usar a palavra povo quando se tenta converter alguém a uma determinada seita)! Aquelas noites de finos, desculpas para boas tertúlias, que fui bebendo na companhia inteligente e bem fundada de valores de um grande amigo, salvou-me a alma. Para ambos eram fugas ao trabalho e, para mim, tinham um pendor extra de me reencaminhar o pensamento. Sei lá... também podíamos ser dois enganados armados ao iluminado.

Voltando ao dia de hoje, posso dizer agora, que sei novamente aquilo que sou e que é isto que quero ser no futuro. Sou alguém que conserva as boas memórias do passado e que transforma os erros cometidos em lições e alertas para o futuro. Alguém que cada vez mais vive o presente mantendo um equilíbrio saudável entre o apetecido(impulso) e o que tem que ser devidamente medido(ponderação/reflexão). Este equilíbrio é a chave. Há alturas em que é preciso largar a ponderação e aproveitar o impulso. Há alturas em que o impulso por si só nos condena à destruição. Se por um lado não vale a pena pensar muito nas coisas pois o futuro pode acabar ao virar da esquina, outras há em que ao virar da esquina podemos encontrar um espelho do passado.

Como encontro eu este equilíbrio? Tenho uma teoria baseada na pouca experiência que ainda tenho. E recorro a esta, aos conselhos daqueles em quem confio(sendo importante a sinceridade com que exponho as coisas mesmo que isso signifique a minha própria exposição) e, numa grande dose, observando os erros ou comportamentos dos outros. Não para criticar mas para reflectir sobre estes, compreender as suas motivações e razões pois nunca se sabe quando o mesmo mal nos pode bater à porta.

Este também foi um ponto onde mudei. Antigamente caso achasse que alguém estava num caminho errado, alertava-a. Hoje, apercebi-me que as pessoas são por demais teimosas e que são raras aquelas que são tolerantes a um "aviso" ou ao facto de serem confrontadas com outro caminho. Há pessoas que simplesmente acham que o rumo que traçaram é o ideal e se recusam a ver para além desse. Pessoas que vivem no mudo das certezas e recusam a possibilidade. Medo? Teimosia? Preguiça? Resistência á mudança? Orgulho? Sei lá... Se calhar um pontinha de tudo.

Eu, falando por mim, quero é que me mostrem vários caminhos. Que me confrontem com eles. Que mos esfreguem na cara caso eu me recuse a vê-los. Eu próprio confronto-me com eles diariamente, por vezes basta um filme, um livro ou até mesmo uma situação qualquer, de alguém totalmente desconhecido, que observe na rua.

Uma coisa eu sinto neste momento, não vou estar unicamente preso a um futuro idílico(nem que tenha sido aquele que eu sempre imaginei para mim). Não me vou precipitar para ele a todo o custo. Viver para esse futuro é queimar o presente. Há que reagir aos estímulos do dia a dia (nunca descurando de uma reflexão sobre estes) e tomar decisões para o presente. Medir o que temos e o que podemos perder. Saber efectivamente o que queremos. Não ceder imediatamente a apetites momentâneos mas também não ficar preso a "imposições"(pessoais, sociais, profisionais, religiosas...) futuras. Há que saber ouvir. Há que saber ler. Há que saber sentir.

Um abraço a todos aqueles com quem tenho o privilégio de poder partilhar a vida.

2010/01/07

De volta à escrita...

Quem aqui escreve hoje é uma pessoa diferente daquele ser que alimentou este blog durante o ano passado.

Foi um percurso tão negro quanto necessário e este blog cumpriu com a sua função. Tirou-me o medo de me mostrar a quem de direito, fez-me pensar sobre mim e o que me rodeia. Deu-me a possibilidade de dizer toda a porcaria que me apetecia sem o medo de ser julgado. Depois de "postado" nada era retirado.

Tal como referi em posts anteriores, Aveiro acabou por ser uma ponte, não física(pois acabo por regressar a Lisboa) mas mental e espiritual. Agradeço a Amigos que lá deixo e que nunca esquecerei ou abandonarei. Eles foram mais importantes do que imaginam. A caldeira responsável pelo movimento,acção e reacção.

Não posso também descurar os Amigos do Fundão ou de Coimbra e de tantos outros locais que, mesmo à distância, estiveram sempre perto. Sempre prontos a dar o apoio e a estalada necessária.

A família sempre presente e tolerante às minhas imensas mudanças. No fundo, acho que confiam nas minhas escolhas e que acabam por compreender que há males necessários :)

Existe ainda alguém que neste momento é responsável por toda esta força, alguém que me fez voltar a olhar em volta e ver tudo o que me rodeia com olhos de ver... com bons olhos! A fonte da minha força, da minha vontade de lutar e aparecer. Ela, com um único gomo de uma tangerina, devolveu-me sumo à vida.:)

Falando de destinos físicos e, cumprindo a promessa de que em Janeiro diria para onde iria, indico que a minha escolha é Lisboa. Das ofertas que tinha, escolhi a que me oferecia mais estabilidade(algo também não muito normal em mim) e um horário tipo função pública. O meu único receio é que tal não seja estimulante e desafiante e que o aborrecimento tome conta dele mas, jogando por antecipação, para o combater tenciono colocar-me desafios extra trabalho, projectos que desde algum tempo idealizo e que, se tudo correr como planeado, terei finalmente tempo para os por em prática.

De facto, hoje emano confiança, boa disposição, força e atitude. Estou de volta. Sinto outra vez aquela vontade de "mudar o mundo", mas agora não me ficarei pelas ideias, está na hora de agir e sei quem tem a mesma ou ainda mais força que eu.

Parece que sim! Estou mesmo muito bem disposto! Uma boa disposição sobre a qual, vocês que sabem que são importantes para mim, têm toda a responsabilidade.

Se vou continuar a reclamar? Sim. Este blog vai continuar...confesso que estive quase para o matar e até tenho o texto de despedida. Que se lixe! Vamos dar-lhe um ar fresco, o ar que pretendo respirar em 2010!
Ainda não sei o rumo que ele irá tomar, sendo ele um blog intimista, está sempre à mercê dos caprichos do administrador mas, depois de me terem visto pescar "douradinhos", tudo parecerá normal!

Esta é a música que me ocorre para este post, para todo o percurso deste blog, para o meu estado de espírito e especialmente para o vosso estado de espírito pois sei que alguns, infelizmente, não partilham do meu...



e hoje já é um novo dia :)