2011/09/29

Roubini

Já há muito que não escrevia. Hoje deu-me para isto. Claramente as motivações são outras mas um mesmo desconforto. Hoje, o desconforto, é para com tudo o que vivemos.

Vejo uma eminente queda do euro e, se o euro cai, digam olá à terceira guerra mundial. Espero estar enganado. Espero que esteja num filme catastrófico e que claramente esteja a interpretar mal os sinais. Está tudo muito difuso, a informação chega toda muito difusa. Depara-mo-nos com várias máscaras - quem é o Obama? Onde está o khadafi? Porque razão as noticias da Líbia nos chegam agora cada vez mais faseadas? Porque só agora foi morto o Bin Laden? Porquê a pressa em livrarem-se do corpo?

A pior das perguntas: Porque razão o mar está tão calmo quando toda a economia ameaça ruir?

Sabem aquela sensação que antecede a trovoada... aquele calor mórbido que não se sabe muito bem de onde vem, aquela agitação de passarada que nos perturba a atenção...
É o que sinto hoje.

Vejo muita coisa dispersiva de atenção. Os media estão constantemente a bombardear-nos com assuntos que rapidamente perdem importância(não serão eles também bombardeados?). Que raio se passa aqui? Levo guarda-chuva ou não? Não vejo as nuvens... mas será que vem aí a tempestade? Onde raio está este mar para que eu perceba se as gaivotas o abandonaram.

Porque raio todas as soluções conduzem a novos problemas? Porque raio interessa "secar" certos países?

Claramente perceberam que o conteúdo deste texto está recheado de interrogações.

Claramente dita o estado de espírito do autor.

Claramente nada vejo mas, o que sinto, assusta-me.

Para terminar... o bom de um jogo de xadrez, é o facto de vermos todo o tabuleiro. O nosso e o do adversário. A porra no meio de tudo isto... é que eu só consigo identificar os peões e, ainda assim, não sei quais são os meus.

2011/09/02

Que música ouves?

Para mim, a música, sempre esteve ligada ao estado de espírito. Mas nunca imaginei que me fosse apetecer ouvir isto. E curtir! Acho que é mesmo o berro interior! Vamos para a rua! Vamos correr com a escumalha! Time for Mad Max!



Amanhã vai ser a minha banda sonora no trabalho.

2011/05/18

Os parvos estão no trono



Os loucos estão certos
Os certos estão fartos
Os fartos são modernos com os pés no chão

Os sogros estão pobres
Os pobres estão mortos
Os mortos são vivos em preservação

O bairro está cheio
As cheias estão à porta
O António das chamuças mudou de canal

Os loucos estão certos
É preciso ouvi-los
Foram avisados não nos querem mal

Os loucos estão parvos
Os parvos estão no trono
O trono que era bênção fez-se maldição

Os trilhos estão cruzados
A fome aí à espera
O tio veio ao casório para insultar o irmão

Os padres comem putos
Os putos comem ratos
Na igreja de São Torpes hoje há bacanal

Os loucos estão certos
É preciso ouvi-los
Foram avisados não nos querem mal

Ai, ai, ai
Já que a gente se habitua ao ai
Ai, ai, ai
Já que a borga continua
Já que o ritmo não recua
Seja o filho avó do pai

Os Loucos estão certos
Os certos estão fartos
Os fartos são modernos com os pés no chão

Os trilhos estão cruzados
A fome aí à espera
O tio veio ao casório para insultar o irmão

Os padres comem putos
Os putos comem ratos
Na igreja de São Torpes hoje há bacanal

Os loucos estão certos
É preciso ouvi-los
Foram avisados não nos querem mal

Ai, ai, ai
Já que a gente se habitua ao ai
Ai, ai, ai
Já que a borga continua
Já que o ritmo não recua
Seja o filho avó do pai

2011/01/28

Confiante

Confiança. Termo estranho. Assunto difícil.

Adoro confiar. Confiar nas pessoas. Confiar na vida. Confiar na boa sorte. Confiar na má sorte. Confiar em tudo e sobretudo na desconfiança. Quando desconfio dificilmente ganho confiança. Sou um gajo duro. Um gajo camaleão, estrábico… zarolho. Olho em frente mas um dos olhos insiste em olhar para o lado. Vou a direito mas sempre à espera da curva. Não sou apanhado desprevenido ou pelo menos nunca fui. Sei com o que conto, com quem contar e para onde ir. Adoro dar a confiança, desconfiada.

Um povo contente, o rei sorri, o presidente acena, todos dizem sim, eu assisto. Observo um povo que segue a manada. Observo um rei de cara congelada (só sabe rir). Vejo uma mão do presidente a acenar e outra a fazer figas. Pergunto-lhes porque dizem sim respondem-me porque sim.
Eis que chega outro Rei. Tem um sorriso mais branco. Eis que chega outro Presidente. Tem um acenar mais vigoroso. O povo vira costas, segue a manada. Todos começam a dizer não, para dizer sim aos novos rei e presidente.

Pois. A confiança não se conquista assim. A verdadeira confiança não se conquista assim. Num só gesto, num só sorriso. É um todo. Um saber estar, gerir, lidar, apoiar e confiar…
Eu gosto de ver todos estes reis, todos estes presidentes e todos os hipócritas. Eu não estou lá. Sei o que é a confiança e sei dá-la a quem a merece. Truques de quem observa, de quem lê. De quem dá espaço para que cada um deles caia. É esso o truque de saber em quem confiar. É ser idiota, parecer idiota… Ser paciente, deixar ir e correr... O tempo não mente e o mais fraco é aquele que se acha forte. Dá-lhe a força. Quando ele perceber o quão fraco é já será tarde demais para reagir.

Eu sou assim:
Sei que confio em quem me dá razão para isso.
Sei que dificilmente me conquistam a confiança.
Sei que raramente me engano na desconfiança.
Adoro a confiança que me dá o saber confiar e desconfiar.
Adoro confiar.
Adoro ter gente em quem posso confiar.
Adoro mandar à merda aqueles em quem não confio.
E, aquele em quem não confio, jamais me conseguirá agarrar.

Hoje estou:
Cansado. Agastado. Agoniado. Demasiada confiança já me deu a volta ao estômago.

2011/01/19

Tempo

Não sei do tempo, perdi-o algures no passado. Não tenho tempo para nada e, no entanto, parece que tenho todo o tempo do mundo. Tarefas que vão sendo colocadas para trás, obrigações que vão sendo cumpridas, sonhos que vão sendo alimentados. Tudo ao sabor do tempo, o tempo que perdi e vou perdendo. Não sinto a confiança abalada, muito menos a certeza de paz futura mas tenho uma falsa paciência. Sinto-a a corroer-me os sentidos e vontades. Nunca fui gajo de sobrevivência ou acomodação. Sempre sorvi vida e quero voltar a esse estado. Ter tempo e estabilidade para me entregar à vida. Por enquanto adio, espero... sobrevivo...

Pode ser que, entretanto, o tempo volte a ser tempo.

E não me estou a queixar. Até porque de nada me posso queixar...

2010/12/15

Há dias assim...

Dias em que te questionas. Dias em que perguntas se o problema serás tu, desajustado no meio do aparente ajuste, a ver o que ninguém vê, sensível ao que ninguém sente...
sem ninguém que te compreenda e sem conseguires falar...
tudo uma merda... só queres que alguém te perceba... nada mais. Venha o tempo, venham resoluções, venha o novo dia, o novo ano e pouca merda para me ocupar a cabeça. Irritado, atulhado de merda.



Foi só um berro, já passou.

2010/11/22

O menino Joãozinho...

- Joãozinho o que queres ser quando fores grande?
- Pulha!
- Pulha???
- Sim! Assim nunca desiludo ninguém pois ninguém está à espera de nada de mim. Serei sempre reconhecido e dar-me-ão sempre valor. Aos outros, só lhes dão valor quando desaparecem pois só aí se sente a falta deles...